Sobre a Cientista

Nascida em Santa Cruz das Palmeiras, São Paulo, filha de imigrantes italianos, cursou a Escola Superior de Agronomia Luiz de Queiroz (Esalq), da Universidade de São Paulo (USP), e tornou-se a primeira engenheira agrônoma formada pela instituição, no fim dos anos 1930. Em seguida, iniciou estágio no Instituto Biológico, de onde foi pesquisadora por mais de 60 anos, além de chefe da Seção de Fitopatologia e diretora da Divisão de Patologia Vegetal. Aperfeiçoou no exterior seus conhecimentos sobre doenças que acometem plantas e frequentou instituições de ensino e pesquisa dos Estados Unidos e da França. Entre 1966 e 1967, atuou como fitopatologista assistente da Organização das Nações Unidas para a Agricultura. Membro titular da Academia Brasileira de Ciências desde 2003, recebeu honrarias como a medalha Luiz de Queiroz, concedida pela Esalq/USP (1993), o prêmio Frederico de Menezes Veiga, da Embrapa (1993), e a condecoração Grã-Cruz da Ordem Nacional do Mérito Científico (2004).

a medalha luiz de queiroz, que victoria rossetti recebeu em 1993.

capa da nature (13/07/2000) anuncia o sequenciamento do genoma da bactéria xylella fastidiosa. – reprodução

Sobre os citros e suas doenças

A infância passada em fazendas do interior de São Paulo contribuiu para despertar o interesse de Victoria Rossetti pela natureza e pelos vegetais. Na companhia do pai, engenheiro agrônomo, e dos irmãos, a menina ajudava na coleta de materiais para verificar o estrago que pragas e doenças causavam nas plantas das propriedades. Mais tarde, na mesma profissão de seu progenitor, seguiu na fitopatologia e dedicou anos ao estudo das doenças de plantas produtoras de frutas cítricas.

No início da carreira, investigou o isolamento de fungos do gênero Phytophtora, relacionados à gomose dos citros. Os trabalhos desenvolvidos pela pesquisadora e seus colaboradores, no Instituto Biológico, contribuíram para um melhor conhecimento daquela patologia e também da virose conhecida como tristeza dos citros – e para a adoção de porta-enxertos de citros resistentes às anomalias. 

A agrônoma foi responsável também pela comprovação do ácaro Brevipalpus phoenicis como vetor da leprose dos citros. Dedicou-se ainda ao estudo de patologias de frutos cítricos como sorose, cachexia e exocorte, o que possibilitou a disseminação de informações relevantes aos programas de produção e certificação de citros, especialmente em São Paulo.

A mais importante de suas contribuições à ciência, no entanto, foi a identificação da bactéria Xylella fastidiosa como agente etiológico da clorose variegada dos citros, nome dado por Rossetti à doença constatada em plantações de laranja na região norte do estado de São Paulo ao fim da década de 1980. Para estudar a praga, conhecida como amarelinho, a agrônoma coletou galhos doentes e saudáveis e, com a ajuda de cientistas franceses, verificou a presença do agente causador da doença nas amostras comprometidas. A Xylella fastidiosa tornou-se, anos depois, o primeiro fitopatógeno a ter seu genoma completamente sequenciado.

Projeto Genoma brasileiro

Em outubro de 1997, a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo apresentou o Projeto Genoma, voltado para o sequenciamento genético da bactéria Xylella fastidiosa, identificada por Victoria Rossetti como causadora da clorose variegada dos citros. Concluído em 1999, com a determinação de 2,7 milhões de bases do cromossomo do patógeno, o estudo reuniu mais de 30 laboratórios e cerca de 200 pesquisadores. O feito alcançou grande visibilidade internacional, com artigos publicados nas principais revistas e jornais do mundo.