Sobre o Cientista

Nascido na Tchecoslováquia, filho de mãe brasileira, chegou ao Brasil em 1939. Seis anos depois, formou-se em química industrial pela Escola Nacional de Química da Universidade do Brasil. Participou de um dos mais importantes grupos de produtos naturais da época, o Instituto Weizmann de Ciências, em Israel. Foi bolsista no Instituto de Química Agrícola do Ministério da Agricultura, onde se dedicou ao estudo da estrutura química de produtos naturais brasileiros. Ingressou na ABC em 1961. Teve trajetória itinerante por diversas instituições, onde lecionou e fundou grupos de pesquisa; entre elas, as universidades federais de Brasília, Minas Gerais, Ceará e Rural do Rio de Janeiro, além da Universidade de Sheffield, na Inglaterra, do Instituto Oswaldo Cruz e da Universidade de São Paulo. Nesta, organizou o Laboratório de Química de Produtos Naturais, propiciando a formação de um promissor grupo de pesquisadores. Por seus estudos sobre a estrutura química das plantas, que permite analisar o estado de preservação de ecossistemas brasileiros, foi indicado ao Prêmio Nobel de Química. 

gottlieb dedicou-se ao estudo das espécies da flora brasileira com aplicações comerciais. entre seus temas de pesquisa, destacam-se as neolignanas, substâncias anti- inflamatórias obtidas no tronco de diversas árvores e usadas no combate a tumores. foto maior: hemidi/ flickr; foto no alto:
pixabay.com; abaixo: guto de lima/ flickr.

Raízes familiares

O interesse pela química é uma marca da família de Otto Gottlieb. O avô, dono de uma fábrica de louças esmaltadas na Tchecoslováquia, começou a trabalhar empiricamente na área para acompanhar os processos de produção, que envolviam o uso de borato e de pigmentos inorgânicos. Já o pai formou-se químico. Numa ida à Argentina para verificar uma infração de patente das louças, passou pelo Brasil, onde conheceu sua futura esposa e mãe de Otto.

Antes de abraçar a carreira de pesquisador, Gottlieb trabalhou por dez anos na fábrica fundada pelo pai no Brasil, produtora de óleos essenciais provenientes da flora brasileira. Atuava em diversas frentes, desde o abastecimento das caldeiras até a compra e venda. Para tornar o trabalho mais interessante, começou a desenvolver um método de análise inorgânica, chamado titimetria gasométrica, que gerou publicação em revistas estrangeiras.

A partir de então a carreira de pesquisador tomou impulso: Gottlieb aproximou-se da Associação Brasileira de Química, conseguiu uma bolsa para trabalhar no Instituto de Química Agrícola e ali iniciou sua trajetória de sucesso no estudo de espécies nativas e suas propriedades químicas.

Dedicou-se à fitoquímica, estudando espécies de famílias vegetais com importância econômica, entre elas o pau-rosa, fornecedor de óleo essencial de grande interesse da indústria. Juntamente com sua equipe, desenvolveu técnicas de isolamento e determinação estrutural das neolignanas, substâncias com propriedades anti-inflamatórias.  

Gottlieb mapeou centenas de espécies e estabeleceu índices para seu comportamento, o que permitiu a medição da biodiversidade de ecossistemas. Suas pesquisas levaram, ainda, ao desenvolvimento de uma nova área de estudo no campo da química de produtos naturais: a quimiossistemática ou taxonomia química, que consiste na identificação de grupos de substâncias químicas presentes nas plantas.