Sobre o Cientista
Nascido em São Luís de Paraitinga, São Paulo, mudou-se com a família para o Rio de Janeiro em 1877. Com apenas 15 anos, ingressou na Faculdade de Medicina e recebeu o título de doutor em 1892, com tese sobre veiculação microbiana pela água. Estagiou por três anos no Instituto Pasteur, na França, onde se especializou em bacteriologia. De volta ao Brasil, foi diretor do Instituto Soroterápico Federal (atual Fundação Oswaldo Cruz) e esteve à frente da Diretoria da Saúde Pública do Rio de Janeiro, a convite do presidente Rodrigues Alves. Deflagrou campanhas e implantou medidas sanitárias para combater doenças como peste bubônica, febre amarela e varíola. Enfrentou forte resistência contra a vacinação obrigatória, que culminou com uma rebelião popular em 1904 – episódio conhecido como Revolta da Vacina. Em 1915, por motivos de saúde, deixou a direção do instituto que já carregava seu nome e mudou-se para Petrópolis, cidade em que se elegeu prefeito. Ingressou em 1916 na Academia Brasileira de Ciências, da qual foi vice-presidente.

O desafio da saúde pública
Ainda muito jovem, Oswaldo Cruz iniciou-se como pesquisador no campo da microbiologia. Em seus primeiros postos de trabalho, tratou de se cercar de mestres com mais experiência. Ao lado dos cientistas Adolfo Lutz e Vital Brasil, teve importante contribuição no diagnóstico e combate à epidemia de peste bubônica na cidade de Santos, no litoral de São Paulo.
A dificuldade de importação do soro antipestoso impulsionou a criação, em 1900, no Rio de Janeiro, do Instituto Soroterápico Federal, no qual Oswaldo Cruz trabalhou como bacteriologista, assumindo sua direção em 1902. Seis anos depois, a instituição passou a se chamar Instituto Oswaldo Cruz (atual Fundação Oswaldo Cruz), tendo o cientista como líder até 1915.
No comando da saúde pública, diante de um panorama sanitário bastante desfavorável, Oswaldo Cruz adotou medidas não convencionais, que motivaram forte oposição ao cientista. Entre elas, montou uma brigada para caçar ratos, vetores da peste bubônica; destinou esforços para a eliminação de focos de mosquitos – em lugar de desinfecções – para o combate à febre amarela; e implementou a obrigatoriedade da vacinação antivariólica. Apesar de impopulares, as ações possibilitaram a eliminação da peste e a erradicação da febre amarela no Rio de Janeiro, e motivaram a adesão em massa à campanha de vacinação contra a varíola de 1908 – a moléstia foi erradicada no Brasil apenas nos anos 1970.
Ainda no campo da saúde coletiva, o cientista liderou a reforma do Código Sanitário e reestruturou órgãos ligados ao setor. Lançou expedições científicas ao interior do país e foi responsável pela campanha de saneamento da Amazônia.