Sobre o Presidente

Italiano nascido em 1922, mudou-se para o Brasil com dois anos de idade. Formou-se na primeira turma de físicos do país, em 1945. Trabalhava com raios cósmicos quando se envolveu na construção de transmissores de rádio portáteis para o exército brasileiro durante a Segunda Guerra Mundial. Estagiou nos Estados Unidos, onde iniciou o projeto de desenvolvimento do acelerador eletrostático encomendado pela Universidade de São Paulo (USP), do tipo Van de Graaff, importante para pesquisas em energia nuclear. Foi professor e pesquisador de física nuclear na Faculdade de Filosofia, Ciência e Letras da USP. Com a dissolução da faculdade em 1969, seu departamento foi integrado ao Instituto de Física da universidade. Foi presidente da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência e diretor-científico da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo. Ingressou na ABC em 1951. Foi vice-presidente da entidade de 1981 a 1991 e presidente entre 1991 e 1993. Sua gestão na presidência foi interrompida por problemas de saúde e exercida por seu vice, José Israel Vargas. 

na foto menor, 29º reunião anual da sbpc, realizada em são paulo em 1977. na foto estão maurício rocha e silva, douglas teixeira monteiro, oscar sala (sentado, sem gravata), luis edmundo de magalhães, carolina m. bori e renato basile. – acervo fapesp

Sala e o Van de Graaff paulista

Oscar Sala construiu uma sólida carreira de físico nuclear no momento em que a área vivia seu ápice, com a detonação das bombas atômicas no Japão e o fim da Segunda Guerra Mundial. 

Trabalhando com raios cósmicos antes do conflito, sob orientação do físico Gleb Wataghin, passou a se dedicar à física nuclear experimental com o fim da guerra e o interesse crescente da USP pelos aceleradores de partículas.  

Para se especializar na área, realizou estágios em universidades norte-americanas no fim da década de 1940, fazendo contribuições importantes nesse período. Na Universidade de Illinois, participou do desenvolvimento de uma nova técnica para medidas de tempos curtíssimos de fenômenos nucleares.

Na Universidade de Wisconsin, começou a trabalhar no projeto do acelerador eletrostático encomendado pela USP, do tipo Van de Graaff. Esses equipamentos eram usados à época em experimentos de física nuclear, pois têm capacidade de produzir tensões elevadas e, assim, acelerar partículas, conferindo-lhes altas energias. Lançadas sobre o núcleo atômico, as partículas aceleradas provocam reações que levaram, por exemplo, a melhor compreensão da estrutura nuclear.

De volta à USP, o físico continuou se dedicando ao projeto de construção do acelerador eletrostático. Concluído em 1954, foi o primeiro a utilizar feixes pulsados para estudos sobre reações nucleares com nêutrons rápidos.

Embora esses equipamentos não sejam mais usados nas pesquisas de fronteira da física nuclear, o acelerador Van de Graaff paulista teve importante papel no desenvolvimento da área no Brasil e envolveu a formação de uma geração de físicos brasileiros de alta qualidade.

acima, da esquerda para a direita, eduardo oswaldo cruz, antônio brito da cunha, ilya prigogine, maurício matos peixoto, waldyr muniz oliva, josé israel vargas, oscar sala e crodowaldo pavan. – acervo abc

Antes de ingressar no mundo da física, Oscar Sala tinha um reconhecido talento musical, tendo inclusive ganhado uma bolsa para se aperfeiçoar em piano. No entanto, seu interesse pela ciência e tecnologia acabou prevalecendo em suas escolhas profissionais. 

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