Sobre o Presidente

Carioca, cursou a Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro, onde veio a se tornar doutor e professor. Seu interesse por ciência fez com que ele e o irmão, Álvaro Ozorio de Almeida, começassem a fazer experimentos em um local inusitado: o porão da casa dos pais. O laboratório improvisado acabou se transformando em um espaço de encontros de importantes pesquisadores, sendo visitado por Albert Einstein e Marie Curie em suas passagens pelo Rio de Janeiro. Trabalhou no Instituto de Manguinhos, tendo contribuído para o desenvolvimento da área de fisiologia na instituição. Foi diretor geral da Diretoria Nacional de Saúde e Assistência Médico-Social (1934-1935). Ingressou na ABC em 1917. Foi 1º secretário interino (1920 a 1923), secretário-geral (1923-1926), vice-presidente (1926-1929) e presidente (1929 a 1931) da entidade. Além da carreira científica, desempenhou papel importante na educação e divulgação da ciência no Brasil. Também se dedicou à literatura e publicou ensaios, tendo sido eleito membro da Academia Brasileira de Letras. 

no alto, acadêmicos reunidos na entrega do prêmio einstein a miguel ozório de almeida, em 1933. – acervo abc | à esquerda, capa do romance científico almas sem abrigo, publicado em 1933. – reprodução | à direita, nota escrita por ozório de almeida e enviada à royal society de londres por ocasião da celebração do centenário das descobertas de michael faraday, em 1931.

O vulgarizador

Miguel Ozorio de Almeida fazia parte de um grupo de intelectuais e cientistas que tinham como propósito a valorização da pesquisa básica e da ciência nacional. A ideia do grupo, que não por coincidência esteve à frente da criação da ABC, em 1916, e da Associação Brasileira de Educação (ABE), em 1924, era estimular o desenvolvimento da pesquisa científica por meio do fortalecimento do sistema educacional, da criação de faculdades de ciências e letras e de um ambiente favorável ao desenvolvimento da ciência. 

A divulgação científica despontava, nesse contexto, como um instrumento importante para a aproximação entre a ciência e a sociedade e teve, em Miguel Ozorio de Almeida, um notável representante, tanto no que diz respeito à atuação prática quanto à reflexão sobre o campo. 

Ao longo de sua carreira, fez conferências públicas, ministrou cursos abertos e publicou diversos textos sobre a ciência e sua “vulgarização” – termo usado à época para se referir ao que se chama hoje de divulgação científica. Dentre seus livros sobre o tema estão A mentalidade científica brasileira (1922), Homens e coisas de ciência (1925) e A vulgarização do saber (1931), que talvez seja o primeiro no país a discutir de forma mais sistemática a divulgação científica.

Miguel Ozorio publicou ainda um romance científico, Almas sem abrigo (1933), que aborda as aventuras de um matemático no Brasil do início do século XX. Além disso, colaborou com a então incipiente produção cinematográfica brasileira voltada para a educação e a divulgação da ciência e da cultura, ao dirigir, junto com Humberto Mauro, o documentário Fisiologia geral (1938).

“O conhecimento vale por si, independente de sua utilização, e esse valor é bastante grande para que se não meçam os esforços no afã de adquiri-lo…”

Discurso de posse como presidente da ABC, em 14 de maio de 1929