Sobre o Cientista
Nascido no Rio de Janeiro, graduou-se em 1933 pela Faculdade Nacional de Medicina. No ano seguinte, mudou-se para São Paulo para ser assistente do professor Quintina Mingóia, na Escola de Farmácia e Odontologia. Ingressou no Instituto Biológico em 1937, onde desenvolveu pesquisas nas áreas de bioquímica e farmacologia. Após passagens pela Universidade de Toronto, no Canadá, e pela University College, na Inglaterra, onde estudou a ação da histamina em medicamentos cardiovasculares, publicou, em 1949, o primeiro trabalho sobre a descoberta da bradicinina, substância originada do veneno da jararaca e que revolucionou o tratamento da hipertensão arterial. Foi presidente e vice-presidente da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência. Participou da fundação da Escola Paulista de Medicina e da Universidade de São Paulo. Nos anos 1960, coordenou o Instituto Central de Biologia da Universidade de Brasília e integrou o Conselho Federal de Educação. Recebeu o prêmio Moinho Santista de Ciências Biológicas, em 1967, e o Prêmio Nacional de Ciência e Tecnologia do CNPq, em 1982.

Veneno que cura
Em pesquisas desenvolvidas no Instituto Biológico de São Paulo e também no exterior, Maurício Rocha e Silva tinha como foco principal a histamina, substância relacionada a processos inflamatórios e que causa, entre outros efeitos, diminuição da pressão arterial. O pesquisador buscava um princípio que se opusesse à ação da histamina, de forma similar à angiotensina, descoberta em 1940, na Argentina, pelo pesquisador Eduardo Braun Menendez.
Estudioso da farmacologia dos venenos das serpentes, realizou um experimento utilizando uma mistura de plasma canino e veneno de jararaca. Neste trabalho, contou com a colaboração de Wilson Beraldo, do Instituto Biológico, e Gastão Rosenfeld, do Instituto Butantã. A pesquisa resultou na descoberta, em 1948, de nova substância, com ação similar a da histamina. Era a bradicinina, cujo nome, que remete a sua ação lenta no organismo (de brady = lento e ekinesia = movimento), foi acordado com o cientista José Reis, que trabalhava no Instituto Biológico e acompanhava o trabalho do grupo de Rocha e Silva.
A comunidade científica não foi imediatamente receptiva aos resultados apresentados por Rocha e Silva e colaboradores. Aventou-se a hipótese de que a substância já havia sido descoberta nos anos 1930, na Alemanha, com o nome D. K. (Darmkontrahirende Substanz), posteriormente renomeada calidina. Após discussões no Brasil e no exterior, foi em um simpósio em Londres, realizado em 1959, que se confirmou a descoberta brasileira. No evento, o depoimento do respeitado farmacologista J. H. Gaddum afirmando que a substância havia sido descrita por Rocha e Silva em 1948 colocou fim à controvérsia.
O feito foi considerado, então, um importante estímulo à pesquisa e gerou desdobramentos científicos relevantes, entre eles o desenvolvimento de medicamentos utilizados atualmente no controle da hipertensão arterial.