Sobre o Cientista

Nasceu no Recife e iniciou seus estudos na Escola de Engenharia de Pernambuco, transferindo-se, depois, para a Escola Politécnica de São Paulo, onde se diplomou engenheiro eletricista. Bacharelou-se em matemática na primeira turma da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da Universidade de São Paulo (USP), da qual viria se tornar, mais tarde, professor. Nos anos 1940, desenvolveu nos Estados Unidos trabalhos em astrofísica, ao lado de George Gamow, e com o físico propôs uma teoria, de grande repercussão, sobre o mecanismo de explosão das supernovas. Ingressou na ABC em 1942. Elegeu-se deputado em São Paulo pelo Partido Comunista em 1945. Entre 1953 e 1961, dirigiu o Departamento de Física da Faculdade de Filosofia da USP. Com o golpe militar de 1964, foi preso e teve seus direitos políticos cassados pelo AI-5. Nesse período, foi aposentado compulsoriamente da USP e afastado do Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas, ao qual tinha se vinculado em 1967. Anistiado em 1979, reintegrou-se à universidade paulista, na qual se aposentou em 1983, ao completar 70 anos. 

schenberg em sala de aula. acervo histórico do instituto de física / geraldo nunes

mauricio matos peixoto e mario schenberg na década de 1980. – acervo abc

Da Urca para as estrelas

O mecanismo de colapso das estrelas gigantes, conhecido como supernova, era o objeto de estudo do físico russo, naturalizado norte-americano, George Gamow, quando Mario Schenberg foi trabalhar em Washington, Estados Unidos, no início da década de 1940. 

Na época, não havia explicação para a violência das supernovas. Do físico brasileiro veio a proposta que elucidou o problema: os neutrinos presentes no interior do átomo eram os responsáveis pelo colapso das estrelas. Segundo ele, a emissão dessas partículas esfriaria rapidamente o centro dos corpos estelares e diminuiria a pressão interna; assim, o núcleo não suportaria o peso das camadas externas e explodiria, com ampliação significativa de seu tamanho – daí a forte luminosidade das supernovas.

A proposta de Schenberg abriu nova perspectiva para o entendimento das supernovas. O mecanismo foi batizado pelos cientistas de Processo Urca – em referência à rapidez com que a energia desaparecia do centro das estrelas em colapso, similar à velocidade com que se perdia dinheiro no Cassino da Urca, visitado pelos dois físicos no Rio de Janeiro.

Ainda nos Estados Unidos, o pesquisador passou alguns meses na Universidade de Princeton, onde pôde conviver com o físico Albert Einstein e trabalhar com o indiano Subramanyan Chandrasekhar, vencedor do Prêmio Nobel em 1983. Nesse contexto, Schenberg aproximou-se dos estudos sobre filosofia oriental e aprofundou o interesse pela arte. A partir de então, passou a atuar como crítico das artes plásticas; em 1944, organizou a primeira exposição de Alfredo Volpi, um dos mais importantes artistas da segunda geração do modernismo. 

Na ciência e na arte

Como crítico de arte, as principais contribuições de Mario Schenberg foram no campo das artes plásticas. Sua forte atuação e vasta produção na área, entre os anos 1940 e 1980, direcionavam-se a impulsionar um movimento de renovação do cenário artístico nacional. Mas circulava também por outros segmentos da arte, como na música, por exemplo. Por sugestão e insistência de Schenberg, o cantor Gilberto Gil compôs a música Oração pela libertação da África do Sul, gravada em 1985 e dedicada ao físico. Teve ainda uma produção fotográfica, realizada principalmente em preto e branco, voltada ao registro da natureza e do cotidiano.