Marília Chaves Peixoto foi uma matemática brasileira de projeção internacional, reconhecida por suas contribuições à análise qualitativa de equações diferenciais e por ter sido uma das pioneiras da matemática moderna no Brasil. Foi a primeira mulher a tornar-se membro titular da Academia Brasileira de Ciências, marco fundamental para a presença feminina nas ciências exatas no país.
Filha do engenheiro e professor Francisco Peixoto e de Laura Chaves Peixoto, Marília cresceu em um ambiente intelectual estimulante, que favoreceu seu interesse precoce pela matemática. Ingressou no curso de Matemática da então Universidade do Brasil, atual Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), formando-se em 1943. Desde cedo destacou-se pelo rigor intelectual e pela originalidade de seu pensamento matemático.
Ainda na década de 1940, Marília iniciou sua carreira acadêmica como assistente no curso de Matemática da Faculdade Nacional de Filosofia.
Em 1949, obteve uma bolsa para realizar estudos de pós-graduação no exterior, passando a atuar no Instituto de Matemática Pura e Aplicada de Paris, onde trabalhou sob a orientação de Henri Cartan e manteve contato com alguns dos principais matemáticos europeus do período. Nesse contexto, aprofundou seus estudos em sistemas dinâmicos e equações diferenciais, áreas em que realizaria suas contribuições mais relevantes.
Seu trabalho científico concentrou-se na análise qualitativa de equações diferenciais não lineares, especialmente no estudo da estabilidade estrutural de sistemas dinâmicos no plano. Seus resultados tornaram-se referência internacional e influenciaram diretamente o desenvolvimento posterior da teoria dos sistemas dinâmicos. Parte significativa de sua produção foi publicada em periódicos científicos de circulação internacional, consolidando sua reputação no meio matemático.
De volta ao Brasil, Marília Chaves Peixoto teve papel central na consolidação da pesquisa matemática no país. Atuou como professora na Faculdade Nacional de Filosofia e participou ativamente da formação de jovens matemáticos, contribuindo para a institucionalização da matemática como área de pesquisa científica no Brasil. Sua atuação foi decisiva para a criação de um ambiente acadêmico mais rigoroso e conectado às correntes internacionais da matemática moderna.
Em reconhecimento à sua produção científica e à sua liderança intelectual, Marília foi eleita, ainda jovem, membro titular da Academia Brasileira de Ciências, tornando-se a primeira mulher a ocupar essa posição na instituição. Sua eleição representou um avanço simbólico e concreto na abertura de espaços para mulheres nas ciências exatas brasileiras.
A trajetória de Marília Chaves Peixoto foi interrompida precocemente por sua morte, em 1961, aos 40 anos de idade. Apesar da curta vida, deixou um legado duradouro para a matemática brasileira, tanto por suas contribuições científicas quanto por seu papel pioneiro na afirmação das mulheres na ciência. Sua memória permanece associada à excelência acadêmica, à inovação científica e à construção das bases da matemática moderna no Brasil.