Sobre o Cientista

Mineiro de Santa Bárbara, cursou medicina na Universidade de Minas Gerais. Doutorou-se pela Universidade de Louisiana, nos Estados Unidos, com tese sobre cinética de enzimas, e fez o pós-doutorado no Centro do Câncer Anderson, na Universidade do Texas. Como professor e pesquisador da Universidade Federal de Minas Gerais, desenvolveu estudos que serviram de base para a criação da primeira empresa capaz de fabricar enzimas no Brasil, a Biobrás, que se tornou a maior produtora de insulina sintética da América Latina. Foi um dos idealizadores da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (Fapemig), fundada em 1986, e presidiu o CNPq entre 1991 e 1993. Ingressou na ABC em 1970. Recebeu distinções importantes, como o título de Comendador da Ordem Nacional do Mérito Científico, em 1995, e a Grã-Cruz da Ordem Nacional do Mérito Científico, em 2000. Em 2008, a Fapemig instituiu o Prêmio de Pesquisa Básica Marcos Luiz dos Mares Guia, concedido anualmente a instituições/empresas e pesquisadores por sua colaboração com o avanço do conhecimento da ciência.

antes da produção da insulina humana recombinante, a insulina usada no tratamento de diabéticos era extraída do pâncreas de bois e porcos. – wikimedia commons/ myriams

Inovação em biotecnologia

Doença crônica que acomete mais de 420 milhões de pessoas no mundo, o diabetes decorre da não produção ou da produção insuficiente do hormônio insulina pelo pâncreas, ou ainda da sua utilização precária no organismo. Em parte dos casos, o paciente depende do uso de insulina sintética para que seu organismo funcione bem.

As contribuições de Mares Guia foram fundamentais para a produção de insulina no Brasil. A partir dos estudos iniciados nos Estados Unidos sobre as reações químicas catalisadas por enzimas humanas, o pesquisador coordenou, no fim dos anos 1960, com o bioquímico Carlos Ribeiro Diniz, a implantação de um laboratório de alta tecnologia para a fabricação de enzimas. A iniciativa serviu de base para a criação, em 1976, da primeira empresa do ramo no Brasil, a Biobrás.

Quatro anos após a sua criação, a empresa começou a produzir insulina. Em pouco tempo, passou a desenvolver insulinas altamente purificadas, menos imunogênicas, inclusive a formulação da insulina injetável, ou seja, o medicamento pronto para uso.
No início da década de 1990, em colaboração com pesquisadores da Universidade Federal de Minas Gerais, da Universidade de Brasília e da Biobrás, entre outras instituições, deu início a um projeto de produção de insulina humana recombinante, primeiro produto biotecnológico a ser comercializado no mundo. 

Até então, a insulina utilizada por diabéticos era extraída do pâncreas de bois e porcos e, em alguns casos, acarretava reações alérgicas nos pacientes ou era simplesmente ineficaz. Obtida através da bactéria Escherichia coli, comum na flora intestinal humana, a insulina recombinante surgiu, portanto, como opção aos pacientes que não respondiam bem à de origem bovina ou suína. Somente quatro empresas no mundo, incluindo a Biobrás, têm tecnologia de produção industrial desse tipo de insulina.