Sobre o Cientista

Nasceu no Recife e mudou-se, em 1939, para o Rio de Janeiro, onde cursou a Escola Nacional de Engenharia. Aos 19 anos publicou seu primeiro artigo científico, nos Anais da Academia Brasileira de Ciências. Foi professor de matemática na Faculdade Nacional de Filosofia. Ingressou na ABC em 1948. Foi membro fundador do Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas (CBPF) e do Instituto de Matemática Pura e Aplicada. Atuou no Conselho Nacional de Pesquisas como diretor do Setor de Pesquisas Matemáticas e membro do Conselho Deliberativo. Fundou, em 1967, ao lado de Heitor Gurgulino de Souza, a Escola Latino-Americana de Matemática, evento regional que acontece a cada dois anos. Lecionou também em universidades de Paris e no Instituto de Matemática da Universidade Federal do Rio de Janeiro, instituição na qual permaneceu até sua aposentadoria em 1982, quando se vinculou novamente ao CBPF. Recebeu diversas honrarias, entre elas o prêmio Moinho Santista, em 1962, e o prêmio Bernardo Houssay de Matemática, concedido pela Organização dos Estados Americanos, em 1982. 

prédio do impa, que nachbin ajudou a fundar no rio de janeiro. – acervo impa | francisco alcântara gomes, elisa esther maia frota-pessoa, jayme tiomno, joaquim da costa ribeiro, luigi sobrero, leopoldo nachbin, josé leite lopes e maurício matos peixoto. – acervo abc | leopoldo nachbin tinha apenas 19 anos quando publicou seu primeiro artigo científico nos anais da abc, em 1941. – acervo abc

Contribuições para a matemática pura

Desde cedo, o jovem Leopoldo Nachbin demonstrou dedicação e talento para o estudo da matemática. O contato, porém, com pesquisadores estrangeiros que lecionaram no Brasil, na década de 1940, estimulou ainda mais seu interesse pela área. Entre eles, o italiano Gabrielle Mammana, o português Antonio Monteiro e o norte-americano Marshall Stone, professores na Faculdade Nacional de Filosofia. 

Nachbin foi um dos pioneiros da pesquisa matemática no Brasil, em especial nas áreas de equações diferenciais, séries trigonométricas clássicas, análise funcional e espaços vetoriais topológicos. Entre suas principais contribuições estão os estudos sobre o Teorema de Hahn-Banach para aplicações em espaços normados, que explica a função holomorfa em detalhes, e sobre os espaços Hewitt-Nachbin.

Apesar da carreira bem-sucedida, o pesquisador não se viu livre de percalços. Após estágio na Universidade de Chicago, entre 1948 e 1950, Nachbin voltou ao Brasil e candidatou-se à cátedra de análise matemática com a tese Topologia e Ordem. Houve forte contestação à participação do pesquisador, sob a justificativa de que ele não tinha o grau de bacharel, e o concurso foi adiado. Somente em 1972 o matemático viria se tornar professor titular da Universidade Federal do Rio de Janeiro, com a mesma tese.

Além da dedicação à pesquisa, Nachbin foi professor e orientador de inúmeros alunos, de diferentes nacionalidades, tendo contribuído intensamente para o intercâmbio entre instituições e pesquisadores do Brasil e do exterior. Teve quatro livros editados no exterior e cerca de 100 artigos publicados em revistas internacionais de matemática. Editou a série Notas de Matemática, publicada pelo Instituto de Matemática Pura e Aplicada e, posteriormente, pela editora holandesa North-Holland Publishing Co.