Sobre o Cientista
Nascido no Egito, filho de pais italianos, emigrou com a família para o Rio de Janeiro logo após o fim da Segunda Guerra Mundial. Aos 17 anos, ingressou na Faculdade de Medicina da Universidade do Brasil (atual Universidade Federal do Rio de Janeiro, UFRJ), onde se graduou em 1961. Fez estágio com o pesquisador Walter Oswaldo Cruz, no Instituto Oswaldo Cruz (IOC), e atuou como bolsista no Instituto Nacional de Saúde, dos Estados Unidos, com estudos na área de bioquímica. Ingressou na ABC em 1963. Em 1964, passou pelo IOC e ingressou no Instituto de Biofísica da UFRJ. Com o regime militar, transferiu-se como professor visitante para o Instituto Max Planck, na Alemanha. No fim da década de 1970, foi aprovado como professor titular do Departamento de Bioquímica Médica da UFRJ, no qual desenvolveu pesquisas relacionadas aos mecanismos de produção e transformação de energia em sistemas biológicos. Atuou na criação, em 2004, do Instituto de Bioquímica Médica da universidade, que, em 2013, passou a ter o nome do pesquisador.

Educação para a ciência
A vasta produção científica, com a publicação de mais de 10 livros e centenas de artigos em revistas nacionais e internacionais, demonstra a importância de Leopoldo de Meis para a bioquímica. Entre suas principais contribuições está a descoberta, em 1973, da formação da fosfoenzima de baixa energia, relacionada à síntese de ATP (adenosina trifosfato), em parceria com o aluno de mestrado Hatisaburo Masuda. No mesmo ano, o norte-americano Paul Boyer publicou resultados similares e, 24 anos mais tarde, recebeu o Nobel de Química pela descoberta do mecanismo de funcionamento da síntese mitocondrial de ATP.
Junto com o prazer pela pesquisa, Meis cultivava também a satisfação por ensinar: fazia questão de estar em contato com os jovens e familiarizado com o modo de pensar de gerações posteriores à sua. Nos anos 1980, aproximou-se do ensino de ciência nas escolas, por meio de cursos experimentais de férias voltados a meninos e meninas de baixa renda, ministrados por pesquisadores e pós-graduandos. A iniciativa culminou na criação da Rede Nacional de Educação e Ciência: Novos Talentos da Rede Pública, voltada à promoção de cursos e estágios em laboratórios para estudantes e professores. Na rede, são desenvolvidas oficinas e atividades culturais, entre as quais o teatro, fortalecendo a relação entre ciência e arte – outra grande paixão de Leopoldo.
A trajetória do bioquímico é marcada também pelo interesse em divulgar a ciência de forma clara e acessível para toda a sociedade. Ainda no início da carreira, atuou no Jornal do Commercio – veículo de imprensa de grande relevância à época – como um dos responsáveis pela página dominical dedicada à ciência. Décadas depois, contribuiu na proposição e para a implantação da área de Educação, Gestão e Difusão em Biociências no programa de pós-graduação do Instituto de Bioquímica da UFRJ.
“Não sei o que é mais importante: publicar um artigo revolucionário numa revista científica como a Nature ou a Science; ou ver um jovem feliz ao entrar na universidade.”
leopoldo de meis, ao receber o prêmio faz diferença, do jornal o glob o, em 2010.