Lélia Duarte da Silva Santos foi uma paleontóloga e paleobotânica brasileira pioneira, com contribuições fundamentais ao estudo das tafofloras do Cretáceo e do Quaternário no Brasil. Membro da Academia Brasileira de Ciências, atuou como professora da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) e foi curadora da coleção de vegetais fósseis do Departamento de Biologia Animal e Vegetal, hoje denominada Coleção Paleobotânica Lélia Duarte, em sua homenagem.

Graduou-se em ciências naturais (licenciatura e bacharelado) e obteve o doutorado no Instituto de Geociências da Universidade de São Paulo (USP), sob orientação de Josué Camargo Mendes. Desde o início da carreira, destacou-se pela abrangência temática e geográfica de suas pesquisas, tornando-se referência nacional na paleobotânica. Integrou a primeira Comissão Organizadora da Associação Latino-Americana de Paleobotânica e Palinologia (ALPP), ao lado de pioneiros como Jaime Gaxiola (México), Sergio Archangelsky (Argentina) e Gustavo Huertas González (Colômbia), contribuindo para a articulação científica continental da área.

Iniciou suas atividades em paleobotânica em 1956, na Seção de Paleontologia do Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM). Como representante da instituição, realizou estágios e pesquisas em importantes centros internacionais, incluindo a Divisão de Paleobotânica do Jardim Botânico de Nova Iorque, o Smithsonian Institution, a University of California, Berkeley, o British Museum of Natural History (Londres), o Muséum National d’Histoire Naturelle e o Laboratoire de la Faculté des Sciences (Paris), além das universidades de Tübingen e Göttingen, na Alemanha. Foi bolsista do CNPq com bolsas de aperfeiçoamento (1956–1957) e, posteriormente, como pesquisadora (1958–1996).

Publicou mais de quarenta trabalhos científicos, com estudos sobre a flora miocênica da Formação Pirabas (Pará), flórulas quaternárias dos calcários travertinos do Nordeste brasileiro, floras das bacias terciárias de Fonseca e Gandarela (Minas Gerais) e vegetais fósseis do Aptiano das formações Santana (Chapada do Araripe), Codó (Maranhão) e Areado (oeste de Minas Gerais).

Na UERJ, exerceu funções acadêmicas e administrativas relevantes: foi chefe do Departamento de Botânica (1969–1972), chefe do Departamento de Biologia Animal e Vegetal (1981–1985) e diretora do Instituto de Biologia em 1984. Também coordenou a Comissão de Reurbanização Florística do campus, resultando na publicação “A Vegetação do Campus da UERJ” (1990).

Foi casada com Rubens da Silva Santos (1918–1996), primeiro paleoictiólogo do Brasil. Recebeu a Medalha da Inconfidência (1976) e a medalha comemorativa dos 30 anos do CNPq (1981). Seu legado permanece na pesquisa paleobotânica, nas coleções científicas que organizou e na formação de gerações de pesquisadores.