Sobre o Cientista

Nascido no Recife, graduou-se em química industrial pela Escola de Engenharia de Pernambuco, em 1939. No Rio de Janeiro, para onde se transferiu com uma bolsa de estudos, integrou a primeira turma de físicos formados pela Universidade do Brasil (atual Universidade Federal do Rio de Janeiro). Após passagem pela Universidade de São Paulo, em contato com professores como Gleb Wataghin e Mario Schenberg, desenvolveu tese de doutorado na Universidade de Princeton, sob orientação de Wolfgang Pauli, laureado com o Nobel de Física em 1945, durante a temporada de Leite Lopes nos Estados Unidos. Teve participação fundamental na criação, em 1949, do Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas (CBPF), instituição da qual foi diretor e que abrigou seus estudos na área de física de partículas até o fim da vida. Ingressou na ABC em 1949. Professor emérito de universidades e membro de academias no Brasil e no exterior, recebeu entre outras láureas a Ordem Nacional do Mérito Científico (1994) e a Medalha Nacional de Ciências (1989).

leite lopes e suas duas paixões: a física teórica e a pintura. o cientista era um entusiasta da parceria entre ciência e arte. foto maior: acervo abc; quadro: acervo cbpf; fotos menores: canal ciência / ibict

Interações de forças da natureza

A primeira metade do século XX, e particularmente os anos 1940 e 1950, foi um período de grande efervescência para a física no Brasil, com a atuação de um grupo de cientistas que se destacavam nacional e internacionalmente. Ao lado de César Lattes, Mario Shenberg e Jayme Tiomno, entre outros, José Leite Lopes contribuiu não apenas para o avanço do campo da física de partículas, mas também para a institucionalização e o desenvolvimento da ciência no país.

Autor de ampla obra científica, o físico foi o primeiro a sugerir a integração entre as forças eletromagnética e fraca – as duas compõem o conjunto de forças fundamentais da natureza, juntamente com as forças forte e gravitacional. Em artigo publicado na revista Nuclear Physics, em 1958, previu a existência de bósons vetoriais neutros – hoje conhecidos como bóson Z0 –, responsável pela mediação das interações fracas no núcleo do átomo. A teoria de unificação eletrofraca, especulada por Leite Lopes nos anos 1950, rendeu, em 1979, o prêmio Nobel de Física aos pesquisadores Sheldon Glashow, Abdus Salam e Steven Weinberg. Já a partícula apontada pelo físico brasileiro foi detectada experimentalmente por Carlo Rubia e Simon Van der Meer, também ganhadores do Nobel, em 1985.

Transitou com igual destaque pela política científica, tendo como foco as relações entre ciência e sociedade. Lutou por melhores condições salariais e de trabalho para docentes da Universidade do Brasil, participou ativamente da criação dos principais órgãos de ciência do país e atuou em movimentos voltados ao desenvolvimento da física brasileira. Nos anos 1960, teve seus direitos cassados pela ditadura militar, o que o levou a passar quase 20 anos no exterior. A maior parte desse período foi passada em Estrasburgo, na França, após desistir dos Estados Unidos em função do apoio do país ao golpe militar.