Sobre o Presidente

Nasceu em Paracatu, Minas Gerais, em 1928. Formou-se químico pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), estudou física no Instituto Tecnológico de Aeronáutica e fez doutorado em ciências nucleares na Universidade de Cambridge, no Reino Unido. De volta ao Brasil, tornou-se professor da UFMG, onde dirigiu o Instituto de Pesquisas Radioativas, e foi assessor técnico da Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN). Deu início à formulação da política de energia nuclear no Brasil, trabalho interrompido quando seu laboratório foi tomado pelo exército durante a ditadura. Nesse período, foi demitido do CNEN e afastado da UFMG. Partiu em exílio voluntário para a França, onde trabalhou como pesquisador do Centro de Estudos Nucleares do Comissariado de Energia Atômica, em Grenoble. Em 1972, regressou ao Brasil. Fez carreira política, atuando como secretário e ministro da Ciência e Tecnologia e presidente do Conselho Executivo da Unesco. Ingressou na ABC em 1975 e foi vice-presidente e presidente da entidade, cargos que também exerceu junto à Academia de Ciências do Terceiro Mundo.

acima, à esquerda, líderes da abc e participantes da comissão mundial independente sobre os oceanos. da esquerda para a direita: diógenes de almeida campos, eduardo krieger, mario soares, johanna döbereiner e josé israel vargas. abaixo, à esquerda, josé israel vargas entre josé goldemberg (no canto direito) e josé
pelúcio ferreira. à direita, vargas e walter mors em evento na academia brasileira de ciências.

Do núcleo atômico ao Ministério da Ciência

José Israel Vargas contribuiu fortemente para o processo de consolidação da ciência brasileira no século XX, tanto do ponto de vista científico quanto político, tendo ocupado os mais altos cargos do sistema de ciência e tecnologia nacional, inclusive o de ministro da pasta.

Como muitos de sua geração, formada no pós-guerra, Vargas foi atraído pela física nuclear. Nessa área, desenvolveu trabalhos sobre as transformações nucleares nos sólidos observadas por meio das interações hiperfinas. Nesse tipo de interação, a radiação emitida pelo núcleo é usada para descrever o estado do próprio átomo. Seu objetivo era entender o que acontece com o átomo que sofre uma transformação nuclear. 

Na política, o engajamento começou cedo, quando ainda era universitário. Mas foi na volta do exílio voluntário na França que esse lado de sua trajetória ganhou maior peso. De secretário de Ciência e Tecnologia de Minas Gerais no fim da década de 1970, foi a ministro da Ciência Tecnologia em 1992, permanecendo no cargo até 1998. 

Esteve à frente de realizações relevantes nesse campo, como, por exemplo, a expansão e consolidação da Rede Nacional de Ensino e Pesquisa (RNP), além de ter trabalhado para aprimorar a qualidade da produção nacional, aperfeiçoando o Sistema Nacional de Propriedade Intelectual e a Metrologia e a Normatização.

Ocupou também cargos importantes no exterior. Foi membro da Comissão Assessora para as Políticas de Cooperação Intelectual Internacional da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) e integrou o Conselho do Instituto de Estudos Avançados da Universidade das Nações Unidas, onde ajudou a desenvolver projeto para a pesquisa de uma linguagem entre computadores que permitisse a tradução automática de línguas.