Sobre a Cientista

Nascida na Tchecoslováquia em 1924, mudou-se para a Alemanha durante a Segunda Guerra Mundial e lá se formou pela Faculdade de Agronomia da Escola Superior Técnica de Munique. No início dos anos 1950, chegou ao Brasil. Iniciou suas contribuições à ciência do país com artigo acerca da influência da cobertura do solo sobre a flora microbiana. Foi contratada como assistente de pesquisa de Álvaro Barcellos Fagundes, então diretor do Serviço Nacional de Pesquisas Agronômicas, atual Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), onde Johanna trabalhou até o fim de vida. Eleita membro da ABC em 1977, foi a primeira mulher a integrar a direção da entidade, atuando como primeira secretária e vice-presidente. Em 1978, tornou-se integrante da Pontifícia Academia de Ciências do Vaticano. Esteve entre os membros fundadores da Academia de Ciências do Terceiro Mundo e recebeu, em 1989, o Prêmio Ciência da Unesco. Em 2002, após o falecimento da pesquisadora, foi criada a Sociedade de Pesquisa Johanna Döbereiner, para dar continuidade a seu trabalho.

a pesquisa de döbereiner permitiu expandir a produção de soja no país. – acervo ufrgs

Por uma agricultura sustentável

Após a Segunda Guerra Mundial, intensificou-se a utilização de tecnologia para incrementar a produção de alimentos, bem como o desenvolvimento de fertilizantes e produtos químicos de combate a pragas. Johanna Döbereiner, porém, acreditava ser possível aproveitar processos naturais na agricultura. Seu trabalho, baseado nessa ideia, levou a uma solução mais barata e menos agressiva ao meio ambiente para viabilizar as plantações em larga escala de leguminosas, em especial da soja.

Na década de 1970, a agrônoma tcheca naturalizada brasileira dedicou-se ao estudo de bactérias fixadoras de nitrogênio, isto é, microrganismos capazes de captar esse elemento na atmosfera e fornecê-lo aos seres vivos por meio de relações de simbiose com plantas. A presença das bactérias junto às sementes acontece de forma espontânea na natureza, mas o mecanismo de simbiose pode ser potencializado com a inoculação artificial dessas bactérias no solo, de modo a garantir que as futuras plantas sejam abastecidas com os compostos de que precisam para crescer.

Após testar diversas bactérias na fertilização de plantações de soja, a pesquisadora descobriu uma espécie ideal para atuar em conjunto com a soja brasileira, Rhizobium. A descoberta reduziu os custos de produção do grão no Brasil, representando uma economia anual de bilhões de reais em fertilizantes, e aumentou o potencial agrícola do país, um dos maiores produtores de soja no mundo.

A agrônoma também orientou a prática no cultivo da cana-de-açúcar, e os resultados obtidos contribuíram para a implementação do Programa Nacional do Álcool, na década de 1970. Seus estudos no campo da agronomia lhe renderam, além de diversos prêmios e honrarias, a indicação ao prêmio Nobel da Paz em 1997.