João Fulgêncio de Lima Mindello (1867-1953) nasceu em João Pessoa (PB) e destacou-se como militar, engenheiro e professor. Formado pela Escola Militar, então centro de excelência técnico-científica do Exército, construiu carreira docente nessa instituição, contribuindo para a formação de quadros técnicos com forte base em matemática aplicada, engenharia e fortificação — áreas centrais no currículo militar da época.
Sua trajetória combinou ensino, produção técnica e atuação institucional. Foi diretor da Sociedade Nacional de Agricultura, entidade criada no Império e relevante na Primeira República por articular modernização agrícola, difusão tecnológica e debates sobre infraestrutura, crédito e organização produtiva. Essa passagem indica seu trânsito entre os meios militar, técnico e civil, típico de engenheiros-oficiais que atuavam também em políticas públicas. Foi um dos primeiros membros da Academia Brasileira de Ciências.
No campo da história militar e da engenharia de defesa, seu nome ficou particularmente associado a um episódio decisivo da história militar brasileira: a Defesa Minada do Porto de Santos, durante a Revolta da Armada (1893–1894). Sob sua direção, o porto foi minado para impedir a entrada dos navios rebeldes, em uma operação que combinou conhecimento técnico, planejamento estratégico e mobilização coletiva. A chamada “defesa minada” envolveu não apenas militares, mas também engenheiros, operários, químicos, estudantes e a própria população santista, que colaboraram na construção de baterias de artilharia e na preparação das barreiras subaquáticas.
Décadas depois, sistematizou essa experiência no estudo Defesa Minada do Porto de Santos (Revolta de 1893), sobre o qual proferiu conferência no Clube Militar, em sessão solene do Instituto de Geografia e História Militar, em 3 de agosto de 1939.