Sobre o Presidente

Henrique Morize nasceu na França e veio para o Brasil aos 14 anos, acompanhando o pai e os irmãos. Nos primeiros anos no país, trabalhou como ajudante na livraria Garraux e como ajudante de telegrafista na estrada de ferro do estado de São Paulo.

Em 1881, mudou-se para o Rio de Janeiro para ingressar na Escola Politécnica do Rio de Janeiro, onde cursou engenharia industrial. Em razão de problemas de saúde e de seu ingresso, em 1884, no então Imperial Observatório do Rio de Janeiro como aluno astrônomo, sua formação estendeu-se por dez anos.

Em 1891, tornou-se astrônomo do Observatório e, cinco anos depois, ingressou como substituto na Escola Politécnica. Em 1898, foi aprovado por concurso como catedrático de física experimental e meteorologia. Entre suas contribuições mais relevantes destaca-se a difusão do uso dos raios X no Brasil.

Henrique Morize e a mulher, Rosa Ribeiro dos Santos, em sua primeira residência em Salvador, Bahia (1919). (Acervo ABC).

Morize e o eclipse solar

Atuou também em áreas afins à física e à astronomia, sendo pioneiro nos estudos de sismologia no país. Em 1905, instalou no Observatório do Castelo instrumentos para o registro de sismos e teve papel fundamental na organização de uma rede nacional de estações meteorológicas.

Morize acreditava que a ciência pura no Brasil era recebida com indiferença ou hostilidade, sobretudo por não gerar enriquecimento imediato. Defendia, ao lado de outros cientistas, que esse cenário só poderia ser transformado por meio da ampla divulgação do conhecimento científico junto ao público em geral. 

Sua experiência como catedrático e diretor do Observatório Nacional levou-o à convicção de que o fortalecimento da ciência pura no Brasil dependia da união dos cientistas em uma entidade que os representasse. Em reuniões informais realizadas na Escola Politécnica, Morize e seus colegas discutiram a criação dessa associação. Em 1916, fundaram a atual Academia Brasileira de Ciências, em reunião no Salão Nobre da Escola Politécnica, sendo ele eleito como primeiro presidente. Ficou estabelecido que a ABC teria até 100 sócios efetivos, eleitos entre brasileiros de notável saber científico, além de sócios honorários e correspondentes. 

Em 1919, escolheu Sobral (CE) como local de observação do eclipse solar total e a expedição foi bem-sucedida. Em 1925, recebeu Albert Einstein na nova sede do Observatório Nacional, ocasião em que o físico = reconheceu a importância das pesquisas realizadas em Sobral.

Henrique Morize dirigiu o Observatório Nacional por 20 anos e presidiu a Academia Brasileira de Ciências por uma década, incentivando a publicação científica e consolidando o princípio, vigente até hoje, de eleger para a ABC os melhores cientistas brasileiros.

Faleceu no Rio de Janeiro, aos 69 anos. Em sua homenagem, a Academia Brasileira de Ciências instituiu, em 2014, a Medalha Henrique Morize, destinada a reconhecer contribuições expressivas à ABC e ao desenvolvimento da ciência no Brasil.

Sua extensa produção, que inclui artigos, resenhas, livros e discursos, reflete a preocupação em fortalecer o interesse pela ciência no Brasil. Parte dela, sobretudo os escritos produzidos nas duas primeiras décadas do século XX, aborda temas gerais da astronomia, descritos para o público não-especializado. 


Observatório Nacional, do qual Morize foi diretor (Carlos luis m. c. da cruz)
charge na capa de o malho (13/10/1923) homenageia o cientista. (acervo biblioteca nacional)