Sobre a Cientista

Nascida em Corumbá, Mato Grosso, casou-se aos 16 anos com o agrônomo do Ministério da Agricultura Liberato Barroso. Com a transferência do marido, em 1940, para assumir a direção do Horto Florestal, no Rio de Janeiro, instalou-se na cidade com os dois filhos e, incentivada por Liberato, passou a trabalhar como herborizadora na instituição. Por meio de concurso, ingressou em 1946 no Jardim Botânico do Rio de Janeiro, no cargo de naturalista – foi a única mulher a concorrer à vaga. Lá, construiu a maior parte de sua carreira, envolvida na descoberta, descrição e análise de inúmeras espécies vegetais. Aos 47 anos, ingressou no curso de biologia da Universidade do Estado da Guanabara e recebeu o diploma de bacharel. Atuou no ensino e na pesquisa mesmo depois da aposentadoria compulsória, aos 70 anos. Recebeu, entre outras láureas, o diploma da Ordem Nacional do Mérito Científico (1989) e a medalha Millenium Botany Award (1999), concedida a um restrito grupo de botânicos em todo o mundo. Eleita membro da ABC em 2003, faleceu pouco antes de sua posse.

o jardim botânico do rio de janeiro de 1914. wikimedia commons / sailko e acervo biblioteca nacional/ antônio caetano da costa ribeiro

Legado duradouro

Conhecida como primeira dama da botânica brasileira, Graziela Barroso atuou em diversas frentes: além de exímia pesquisadora, trabalhou ativamente em favor da preservação da flora brasileira e dedicou-se à formação de novos botânicos e profissionais de diferentes áreas da história natural. A partilha do conhecimento era uma de suas preocupações, que promovia tanto por meio da orientação de seus estudantes e estagiários quanto pelo registro e publicação de estudos.

Algumas de suas obras são até hoje referência no campo da sistemática de plantas, no qual atuou antes do aparecimento de bancos de dados informatizados ou de técnicas de análise genética que facilitam substancialmente o trabalho. Em Sistemática de angiospermas do Brasil, publicada em três volumes (1978, 1984 e 1986), a pesquisadora caracterizou as angiospermas – plantas com semente, frutos e flores, que predominam no planeta. Outro livro de sua autoria, Frutos e sementes –  morfologia aplicada à sistemática de dicotiledôneas (1999) reúne informações e ilustrações sobre a morfologia de frutos encontrados no país.

O reconhecimento da contribuição de Graziela à botânica, que aparece na reverência da comunidade científica, materializou-se também em diversos tributos. Mais de 25 espécies vegetais foram batizadas em sua homenagem, entre elas Bauhinia grazielae (pata-de-vaca), Dorstenia grazielae (caiapiá-da-graziela) e Diatenopteryx grazielae (maria-preta). Em instituições por onde passou, registram-se salas, auditórios e departamentos que mantêm sua memória, assim como o herbário da Universidade Federal do Piauí, que tem o nome da pesquisadora. Em 2002, por ocasião de seus 90 anos, o Ministério do Meio Ambiente proclamou o “Ano Graziela Maciel Barroso”. Em seu estado natal, desde 2013 é concedido o troféu Marco Verde “Doutora Graziela Maciel Barroso”.

o jardim botânico do rio de janeiro em dois momentos distintos. wikimedia commons / sailko e acervo biblioteca nacional/ antônio caetano da costa ribeiro

Ciência e samba

Em 1997, a escola Unidos da Tijuca teve como samba-enredo “Viagem Pitoresca pelos cinco continentes num jardim”. A música homenageava o Jardim Botânico do Rio de Janeiro e, no desfile, um dos destaques era a grande pesquisadora daquela instituição, Graziela Barroso, já com 85 anos de idade.