Sobre o Presidente
Nascido em Minas Gerais, em 1883, estudou engenharia de minas e civil na Escola de Minas de Ouro Preto. Ingressou como geólogo no Serviço Geológico e Mineralógico do Brasil em 1907, ano de sua criação, e trabalhou na instituição durante toda a vida. Como diretor do Serviço, entre 1925 e 1933, deu um novo impulso ao órgão, com a reorganização de sua estrutura física e a aquisição de novos equipamentos. Em 1914, participou da Comissão Roosevelt-Rondon, que consistiu na travessia do rio Prata ao Amazonas, tendo realizado valiosas observações paleogeográficas. Em 1916, publicou artigo sobre a geologia do estado do Paraná, estudo que marcou o início das pesquisas mais sistemáticas sobre petróleo no Brasil. Ingressou na ABC em 1917. Na entidade, ocupou os cargos de tesoureiro (1926-1931), presidente (1931-1933) e vice-presidente (1933-1935). Em 1933, concluiu o Mapa Geológico do Brasil. O aparelhamento técnico que ajudou a criar para a pesquisa de petróleo no país possibilitou a descoberta do combustível em janeiro de 1939, poucos meses antes de sua morte.

Do desenvolvimento da geologia à descoberta do petróleo
Euzébio Paulo de Oliveira teve papel de grande relevância no desenvolvimento das ciências geológicas na América do Sul. Fez contribuições importantes como pesquisador da estrutura do solo do Brasil, de seu passado geológico e de parte significativa de sua fauna e flora fósseis, bem como professor e divulgador desses conhecimentos e membro ativo da ABC.
Ingressou na Academia em janeiro de 1917. Tornou-se membro da Comissão de Estudos das Secas, Inundações, Insetos e Terremotos, instituída na entidade em novembro de 1924, ficando responsável pelos estudos das inundações. Em 1926, foi eleito tesoureiro, cargo que exerceu até 1931.
Ainda em 1926, foi designado, junto a outros membros da ABC, para representar a entidade nas homenagens à Marie Curie em sua visita ao Brasil. Em maio de 1930, foi escolhido para integrar a comissão da ABC cujo objetivo era apoiar a criação do Instituto de Pesos e Medidas.
Assumiu a presidência da ABC em 5 de maio de 1931, para o biênio de 1931-1933. Em seguida, ocupou a vice-presidência da entidade, ficando no cargo até 1935.
No campo da educação e divulgação, ministrou curso sobre a geologia de petróleo na Escola Politécnica, em 1927, e proferiu um ciclo de quatro palestras acerca de mineralogia, paleobotânica, petrografia e paleozoologia do Brasil, na Associação Brasileira de Educação, em 1931. Nesse ciclo, enfatizou a relevante contribuição brasileira à mineralogia sistemática e à litologia (estudo da composição e da estrutura das rochas), bem como apresentou a descrição do acervo brasileiro de plantas e animais fósseis.
Dentre suas obras mais importantes estão: A Geologia do Paraná, Regiões Carboníferas dos Estados do Sul, Rochas Petrolíferas do Brasil, Geologia Estratigráfica e Econômica, Geognose do Solo Brasileiro, Mineral Resources of Brazil e História da Pesquisa do Petróleo no Brasil.
“O nosso progresso econômico está em estreita dependência com o valor dos seus homens de ciência.”
Em discurso de despedida da Presidência da ABC, 16/05/1933