Elisa Frota Pessoa, nascida Elisa Esther Habbema de Maia, foi uma física experimental brasileira e uma das pioneiras da ciência no país. Destacou-se tanto por suas contribuições à física de partículas quanto por seu papel decisivo na construção das instituições científicas brasileiras, sendo uma das fundadoras do Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas (CBPF). Foi também uma das primeiras mulheres a se formar em física no Brasil, em 1942.
Elisa despertou cedo para a ciência. Ainda no curso ginasial, na Escola Paulo de Frontin, teve contato decisivo com a física por meio do professor Plínio Süssekind da Rocha, que a incentivou e orientou além do currículo formal. Apesar da resistência familiar — seu pai acreditava que o destino feminino deveria restringir-se ao casamento — Elisa ingressou no curso de física da Faculdade Nacional de Filosofia da então Universidade do Brasil (atual UFRJ), graduando-se em 1942. Foi a segunda mulher a concluir o curso no país, no mesmo ano em que Sonja Ashauer se formou na USP.
Ainda durante a graduação, foi convidada por Joaquim da Costa Ribeiro para atuar como sua assistente. Trabalhou sem remuneração até 1944, quando foi contratada pela universidade. Aos 18 anos, casou-se com o biólogo Oswaldo Frota-Pessoa, com quem teve dois filhos, Sonia e Roberto. Após a separação, em 1951, passou a viver com o físico Jayme Tiomno, enfrentando forte preconceito social por sua condição de mulher, cientista e separada em um período anterior à legalização do divórcio no Brasil.
Ao lado de Jayme Tiomno, José Leite Lopes, Cesar Lattes e Mario Schenberg, Elisa participou ativamente da consolidação da física moderna no Brasil. Em 1949, foi uma das fundadoras do CBPF, onde chefiou a Divisão de Emulsões Nucleares até 1964. Em 1950, publicou com Neusa Margem o primeiro artigo científico da nova instituição, “Sobre a desintegração do méson pesado positivo”, trabalho que forneceu evidências experimentais em apoio à teoria V-A das interações fracas. Outros estudos relevantes envolveram reações e desintegrações de mésons K e π e a demonstração experimental de que o méson π possui spin zero, encerrando uma controvérsia internacional.
Em 1965, transferiu-se para a Universidade de Brasília e, posteriormente, para a Universidade de São Paulo, sendo aposentada compulsoriamente pelo AI-5 em 1969. Durante o exílio, trabalhou na Europa e nos Estados Unidos, colaborando com a formação de jovens físicos brasileiros. Em 1975, iniciou a implantação de um laboratório de emulsões nucleares na PUC-São Paulo, em colaboração com o IFUSP, onde atuou como professora do Departamento de Física Experimental.
Com a anistia, retornou ao CBPF em 1980, implantando um novo laboratório dedicado à espectroscopia nuclear. Mesmo após nova aposentadoria compulsória, em 1991, permaneceu ativa como professora emérita até 1995. Elisa Frota Pessoa faleceu em 2018, deixando um legado científico e institucional duradouro, marcado pela excelência experimental, pela defesa da ciência no Brasil e pela afirmação das mulheres na física.