Nascida no Rio de Janeiro, Dyrce Lacombe de Almeida foi uma cientista e entomologista brasileira, reconhecida por suas contribuições à zoologia, à entomologia e à carcinologia, com trajetória fortemente associada ao Instituto Oswaldo Cruz (IOC). Foi eleita membro da Academia Brasileira de Ciências em 1964, um reconhecimento à sua produção científica e ao seu papel na consolidação da pesquisa zoológica no Brasil.
Dyrce nasceu na cidade do Rio de Janeiro e ingressou no curso de História Natural da Faculdade Nacional de Filosofia (FNFi) da Universidade do Brasil, atual Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), graduando-se em 1955. Ainda como estudante, iniciou sua atuação acadêmica como assistente do professor Olympio da Fonseca Filho e participou do curso de extensão universitária em zoologia ministrado por Newton Dias dos Santos, do Museu Nacional, experiência que contribuiu decisivamente para sua formação científica.
Em 1952, realizou o Curso de Entomologia Geral do Instituto Oswaldo Cruz, sob a orientação do cientista alemão Rudolf Barth. A partir desse momento, como bolsista da instituição, iniciou uma carreira de pesquisa particularmente frutífera ao lado de Barth, dedicando-se a estudos de anatomia e histologia de insetos, com ênfase nos barbeiros, vetores de importância médica. Em 1955, publicou, em coautoria com Barth, seu primeiro artigo científico no periódico Memórias do Instituto Oswaldo Cruz, intitulado Estudos anatômicos e histológicos do ducto intestinal de Embolyntha batesi MacLachlan, 1877 (Embiidina).
Paralelamente à pesquisa, manteve intensa atividade docente, com vínculos à FNFi, à Universidade do Distrito Federal, ao Ministério da Educação e ao próprio Instituto Oswaldo Cruz. Em 1959, foi aprovada em concurso do Departamento Administrativo do Serviço Público (DASP), sendo lotada como zoóloga no Museu Nacional. No ano seguinte, afastou-se da instituição para ingressar definitivamente nos quadros do Instituto Oswaldo Cruz, inicialmente como bolsista do Conselho Nacional de Pesquisas (CNPq) e, posteriormente, como biologista e pesquisadora.
A partir da década de 1960, ampliou seus interesses científicos, passando a dedicar-se também ao estudo de crustáceos, especialmente cracas (cirripédios). Nesse campo, iniciou a formação de uma importante coleção histológica e sistemática, que se tornaria referência para estudos posteriores. Em 1967, recebeu convite do Osborn Laboratories of Marine Science, em Nova York, para desenvolver pesquisas sobre cracas. Em 1969, colaborou com a California Academy of Sciences na elaboração de uma monografia sobre insetos da ordem Embioptera, reforçando sua inserção internacional.
Ao longo da carreira, Dyrce Lacombe de Almeida integrou diversas sociedades científicas, entre elas a Sociedade Brasileira de Entomologia (desde 1955), a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (desde 1956) e a American Society of Zoologists (desde 1968). Aposentou-se em 1991, mas permaneceu em atividade no Instituto Oswaldo Cruz, dando continuidade às pesquisas sobre cracas, embiópteros e histologia de barbeiros, mantendo uma atuação científica ativa e produtiva.