Sobre o Cientista
Mineiro da cidade de Santa Luzia, formou-se engenheiro de minas e civil no ano de 1919, na Escola de Minas de Ouro Preto. Atuou no Serviço Geológico e Mineralógico do Brasil como petrógrafo, na análise e descrição de rochas, e foi convidado para organizar o Serviço Geológico do Estado de Minas Gerais, posteriormente Serviço de Produção Mineral. Ingressou na ABC em 1926, tendo atuado como conselheiro da entidade por quase 30 anos. Como pesquisador, contribuiu com diversas áreas das geociências, com destaque para o estudo das rochas graníticas. Seu trabalho teve importância também para a economia do país, ao possibilitar que o Brasil se tornasse o maior produtor de nióbio do mundo. Participou da criação de diferentes instituições, como a Escola de Ciências da Universidade do Distrito Federal, onde lecionou; o Instituto de Pesquisas Radioativas e o Conselho Nacional de Pesquisa, atual CNPq. Foi professor também nas universidades federais de Minas Gerais e de Ouro Preto, e colaborou com as discussões sobre a profissionalização da geologia e o ensino de ciências no país.

Investigador dos minerais
O estudo das rochas graníticas foi uma das principais atividades da trajetória de Djalma Guimarães, interesse que resultou no desenvolvimento de uma nova concepção da gênese dessas rochas. Com a publicação de suas ideias na Alemanha, em 1938, sob o título Das problem der Granitbildung, o cientista passou a ser conhecido como um dos pais da Teoria da Granitização. No trabalho, admitiu que o fenômeno só poderia ser explicado por atividades de metamorfismo profundo e propôs, para a origem de maciços graníticos, um conceito baseado em processos de substituição de íons provocados ou facilitados pela circulação de fluidos.
Um dos pioneiros da geoquímica no Brasil, Guimarães foi responsável pela criação, dentro do Instituto de Tecnologia Industrial de Minas Gerais, de um laboratório de análises espectroquímicas, projetado como órgão de referência para análises de amostras geológicas.
Como fruto de seus estudos, o geólogo descreveu quatro novos minerais: eschwegeíta, arrojadita, pennaíta e geannettita, nomes escolhidos em homenagem aos geólogos e engenheiros Wilhelm Ludwig von Eschwege, Miguel Arrojado Ribeiro Lisboa, José Moreira dos Santos Penna e Américo Renné Gianetti. Estudou os diamantes e seus satélites, e propôs para aqueles da região de Diamantina um processo genético metamórfico.
Guimarães desenvolveu também pesquisas na área de metalogênese, com influência no campo da geologia econômica. Algumas de suas atividades refletiram de modo fundamental na economia, como as descobertas em terras mineiras das jazidas de apatita, mineral rico em fosfato, com grande valor para a produção de fertilizantes; e de pirocloro, abundante em nióbio, metal raro e de grande importância para a indústria de alta tecnologia. O feito do cientista em Araxá possibilitou ao Brasil tornar-se o maior produtor de nióbio do mundo.
Homenagens
Como reconhecimento às contribuições de Djalma Guimarães ao campo da geologia, registram-se diversas homenagens feitas em vida e póstumas ao cientista. Nos anos 1940, os geólogos Caio Pandiá Guimarães e Octávio Barbosa nomearam como djalmaíta um tantalato de urânio e cálcio. Em 2006, uma nova espécie de mineral foi batizada pelo grupo do pesquisador Daniel Atencio, do Instituto de Geociências da Universidade de São Paulo, em sua homenagem: a guimarãesita, um fosfato.
Em 1979, a prefeitura de Belo Horizonte instituiu o Prêmio Djalma Guimarães, destinado a estudantes dos cursos de Geologia e de Engenharia Geológica das universidades federais de Minas Gerais e de Ouro Preto. A medalha, cunhada em prata, contém a efígie do geólogo e o desenho do Museu das Minas e do Metal, que incorporou o acervo do Museu de Mineralogia Professor Djalma Guimarães, criado em 1974 e fechado em 2009.