Sobre o Cientista

Descendente de italianos, nasceu em Campinas, São Paulo, em 1919. Ainda criança, mudou-se com a família para a capital, onde o pai mantinha uma fábrica de porcelanas. Em 1937 iniciou o curso preparatório com vistas à Escola Politécnica, mas, inspirado por um filme sobre Louis Pasteur e aconselhado pelo geneticista André Dreyfus, pioneiro da área no Brasil, optou pelo curso de História Natural da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da Universidade de São Paulo (USP). No Departamento de Biologia Geral, foi assistente de Dreyfus, a quem substituiu na chefia da unidade, após a morte do professor. Realizou pós-doutorado nos Estados Unidos, como bolsista da Fundação Rockefeller, e, com apoio da instituição, desenvolveu parceria com o geneticista russo Theodosius Dobzhansky em pesquisas com as moscas drosófilas. Recebeu, entre outros, o Prêmio Nacional de Genética (1963), o Prêmio Moinho Santista de Biologia (1980) e o Prêmio Alfred Jurzykowski, da Academia Nacional de Medicina (1986). Ingressou na ABC em 1952. 

no alto, à esquerda, mosca do gênero rhynchosciara, muito utilizada na pesquisa em genética. edson rocha de oliveira e fábio siviero | à direita, crodowaldo pavan e franco montoro durante a 36ª reunião anual da sbpc, realizada em são paulo em 1984. acervo sbpc | os bagres-cegos e as moscas estiveram entre os objetos de estudo de pavan. junio petar (bagre) e wikimedia commons

Investigação e divulgação da ciência

A atração pelas descobertas e o prazer de divulgá-las para a sociedade são características que marcam grandes nomes da ciência: Crodowaldo Pavan é um deles. Um dos primeiros a se dedicar ao estudo da genética no Brasil, elucidou, durante o doutorado, a questão evolutiva dos bagres cegos que habitavam cavernas em Iporanga, São Paulo, ao demonstrar que os peixes compunham uma linhagem adaptada à vida na escuridão.

Sob influência de André Dreyfus, e em parceria com o professor Theodosius Dobzhansky, analisou e classificou novas espécies de drosófilas. Entre 1948 e 1956, coordenou um grupo de pesquisadores em experimentos voltados à compreensão da genética de populações, os quais marcaram o início da utilização de espécies de moscas tropicais como organismos-modelo para análises genéticas.

Entre suas principais descobertas estão as larvas do inseto Rhynchosciara, especialmente favoráveis ao estudo da ação gênica e de citologia por terem cromossomos gigantes. Investigações com o inseto levaram Pavan a quebrar um paradigma científico ao demonstrar que a quantidade de DNA nas células não era sempre constante, como se acreditava. O achado foi reconhecido internacionalmente nos anos 1960 e levou o cientista a lecionar por dez anos na Universidade do Texas, nos Estados Unidos, até voltar ao Brasil, no fim dos anos 1970.

Além da trajetória bem-sucedida na pesquisa, Pavan destacou-se também por sua atuação em favor da divulgação científica e do desenvolvimento institucional da ciência no país. Esteve à frente de entidades como a Sociedade Brasileira de Genética (1958-1960), a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (1981-1984), o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (1986-1990) e a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência, da qual foi presidente em três mandatos.