Sobre o Cientista
Nascido em Pombal, sertão da Paraíba, formou-se em direito. Trabalhou como jornalista e na área administrativa federal antes de ser convocado para a Força Expedicionária Brasileira na Segunda Guerra Mundial. Direcionou seu interesse para a economia, área na qual doutorou-se, em 1948, pela Universidade de Paris-Sorbonne. No ano seguinte, ingressou na Comissão Econômica para a América Latina da Organização das Nações Unidas (ONU). Durante as décadas de 1950 e 1960, produziu algumas de suas obras intelectuais mais reconhecidas, relacionadas à formação econômica do Brasil. Contribuiu com estudos para o governo de Juscelino Kubitschek e atuou como titular da Superintendência de Desenvolvimento do Nordeste (Sudene) nas gestões de Jânio Quadros e João Goulart, de quem foi ministro do Planejamento. Com direitos cassados pela ditadura militar, dedicou-se a atividades de ensino e pesquisa nos Estados Unidos e na França. Nos anos 1980, após a redemocratização, foi embaixador do Brasil junto à Comunidade Econômica Europeia e ministro da Cultura. Ingressou na ABC em 2003, depois de se tornar imortal da Academia Brasileira de Letras.

Desenvolvimento social
O economista brasileiro mais conhecido, nacional e internacionalmente, Celso Furtado, empenhou-se na reflexão sobre as relações entre desenvolvimento econômico e processos sociais. Buscou entender a formação histórica do Brasil e, durante sua atuação na Comissão Econômica para a América Latina, aprofundou seus estudos sobre o subdesenvolvimento latino-americano. No livro Formação Econômica do Brasil (1959), uma de suas obras mais importantes, propôs uma interpretação original do desenvolvimento regional brasileiro, que levou em conta os fatores condicionantes e os efeitos da dinâmica econômica e populacional no território do país.
Durante o governo de Juscelino Kubitschek, teve papel fundamental na proposição de análises e projetos para o desenvolvimento do Nordeste. Como diretor do Banco Nacional de Desenvolvimento e integrante do grupo de trabalho da instituição voltado para a região, formulou um diagnóstico das razões do subdesenvolvimento do Nordeste. Para ele, não se tratava de uma etapa do processo de desenvolvimento econômico, e sim do resultado de uma formação histórico-estrutural particular. Apontou caminhos para superar essa condição, que incluíam transformações estruturais, entre elas a industrialização e o criterioso planejamento econômico.
O reconhecimento à contribuição de Furtado em questões relacionadas ao desenvolvimento social e ao combate à pobreza manifesta-se em iniciativas e tributos ao economista. Nos anos 2000, por ocasião de seus 80 anos, seminários e exposições em referência a sua obra aconteceram pelo país e no exterior. Em 2004, nas comemorações do 40º aniversário da Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento, recebeu menção do então secretário-geral da ONU, Kofi Annan. No evento, foi lançada a proposta de criação do Centro Internacional Celso Furtado de Políticas Públicas para o Desenvolvimento, cujas atividades tiveram início em 2005.