Sobre o Presidente
Nasceu no Rio de Janeiro, em 1910, um ano após a descoberta da doença de Chagas, feito que transformou Carlos Chagas, seu pai, em um dos maiores cientistas brasileiros. Estudou na Faculdade Nacional de Medicina, da qual também foi professor. Completou a formação no Instituto Oswaldo Cruz e na Universidade de Paris, especializando-se em biofísica, farmacologia e diferenciação celular. Na Universidade do Brasil, fundou o Instituto de Biofísica, que hoje leva seu nome. Adotou o peixe elétrico como modelo de estudo neurofisiológico em suas pesquisas e, a partir delas, contribuiu para o melhor entendimento dos mecanismos de transmissão neuromuscular em seres vivos. Ingressou na ABC em 1941, assumiu a vice-presidência entre 1951 e 1953 e foi eleito presidente para o biênio 1965-1967. Durante sua gestão, conseguiu a promulgação da lei que autorizava o Poder Executivo a doar para a ABC Obrigações Reajustáveis do Tesouro Nacional. Foi membro da Academia Brasileira de Letras, embaixador do Brasil junto à Unesco e presidente da Academia de Ciências do Vaticano.

Pesquisa de qualidade na universidade
Filho de um expoente da ciência brasileira, Carlos Chagas Filho recebeu uma herança científica de peso. No entanto, seguiu trajetória diferente da do pai, privilegiando a carreira acadêmica na universidade e assumindo posições importantes em organismos nacionais e internacionais.
Ao criar, em 1945, o Instituto de Biofísica na então Universidade do Brasil, o cientista inaugurou a tradição de pesquisa na universidade brasileira e estabeleceu novos padrões profissionais para a prática científica no país.
O instituto tinha um perfil inovador para a época. Caracterizado pela articulação entre pesquisa e docência, pelo regime de trabalho em tempo integral, pela possibilidade de ascensão na carreira via titulação e pelo intenso intercâmbio científico com outras instituições, tornou-se uma referência para os centros fundados posteriormente.
Outra marca do instituto foi a ênfase na ciência básica e o estabelecimento de linhas de pesquisa calcadas em objetos nacionais, como o peixe-elétrico e o curare – substância com ação farmacológica extraída de espécies vegetais da Amazônia.
Legitimava, assim, tanto a produção do conhecimento pelo conhecimento quanto a importância de uma ciência nacional e de qualidade, ideais que defendeu ao longo da carreira, inclusive como presidente da ABC e como representante de outros órgãos nacionais voltados à ciência.
Paralelamente às iniciativas desenvolvidas nas instituições brasileiras, Chagas Filho teve uma atuação política importante junto a organizações internacionais. Destacam-se, nessa esfera, sua posição como embaixador do Brasil junto à Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura (Unesco) e a nomeação, pelo Papa Paulo VI, como presidente da Pontifícia Academia de Ciências, no Vaticano, cargo em que defendeu a aproximação entre fé e ciência.

artigo que descreve a depressão alastrante de leão, publicado no journal of neurophysiology em 1944. – reprodução/ leão aap. spreading depression of activity in the cerebral cortex. jneurophysiol 7: 359–390, 1944.