Sobre o Presidente
Paraibano de Campina Grande, iniciou a carreira como médico, formando-se na Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro e trabalhando em diversos hospitais. No entanto, sua paixão por aracnídeos levou-o a migrar para o campo da zoologia, no qual se tornou reconhecido especialista. Ao longo de sua trajetória acadêmica, descobriu uma grande variedade de espécies de aranhas brasileiras e estudou a distribuição de aracnídeos pelo continente sul-americano. Lecionou em várias instituições, destacando-se entre elas a Escola Superior de Agricultura e Medicina Veterinária e o Museu Nacional. Ainda no campo da educação, dedicou-se à elaboração de livros didáticos. Tornou-se membro da ABC em 1917, ocupando a vice-presidência da entidade nos biênios 1916-1923 e 1937-1939 e a presidência entre 1943 e 1945. Um ano após seu falecimento, em 1948, sua viúva doou apólices da dívida pública federal à ABC, que, com os juros, instituiu o Prêmio Mello Leitão. Em 1949, foi homenageado com a inauguração do Museu de Biologia Professor Mello Leitão, no Espírito Santo.

Aranhas, redes e educação
Graduado em medicina, Mello Leitão formou-se quase como um autodidata no campo da zoologia, transformando-se, de um colecionador de aranhas apaixonado, em uma referência nos estudos dos aracnídeos.
Ao longo da carreira, identificou, catalogou e nomeou diversos gêneros e espécies de aranhas, registradas em uma extensa produção científica. Mas sua contribuição para a área vai muito além da classificação desses artrópodes. O zoólogo foi pioneiro ao pesquisar a distribuição espacial histórica dos aracnídeos e ajudou a construir uma perspectiva de pesquisa mais ampla das aranhas como seres vivos.
A robusta e dinâmica rede de contatos que estabeleceu com naturalistas e entomólogos de diversos países foi fundamental para a coroação de sua trajetória acadêmica, bem como seus vínculos institucionais e suas atividades didáticas.
Como presidente da ABC, que desde o início apoiou o fortalecimento e a consolidação de diferentes áreas da ciência, desempenhou papel importante na afirmação da zoologia como área específica do conhecimento no Brasil, defendendo seu papel estratégico para o país.
Além da extensa produção especializada, Mello Leitão dedicou-se à elaboração de livros didáticos destinados a alunos do Ensino Médio e Superior, que se destacavam pela atualização científica, pelo espaço dedicado às imagens e pela utilização majoritária de exemplos da fauna e da flora do Brasil.
Escreveu também uma série de textos sobre ciência para o público geral, não especializado, tendo mantido uma coluna de divulgação científica no jornal O Imparcial, do Rio de Janeiro, nos anos 1922-1923.