Blanka Wladislaw nasceu na Polônia. Em 1934, aos 14 anos, emigrou com a família para o Brasil, fixando residência em São Paulo. A adaptação inicial foi marcada por dificuldades financeiras, mas Blanka dedicou-se intensamente aos estudos, com o objetivo claro de ingressar no ensino superior. Sua formação inicial na Polônia, fortemente voltada ao humanismo e ao acesso à leitura, contrastou com a educação técnica e conteudista que encontrou no Brasil, combinação que marcou profundamente sua trajetória acadêmica.

Em 1937, ingressou no curso de Química da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da Universidade de São Paulo (USP), formando-se em 1941. Iniciou sua vida profissional nas Indústrias Matarazzo, mas rapidamente direcionou seus esforços para a carreira acadêmica e a pesquisa científica. Em 1948, ingressou no Departamento de Química da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da USP como assistente do professor Heinrich Hauptmann. No ano seguinte, obteve o título de doutora com a tese “Sobre o comportamento de compostos de enxofre de Raney”, na qual analisou novas reações no campo da química dos compostos sulfurados.

Ainda em 1949, tornou-se auxiliar de ensino da cadeira de Química Orgânica e Biológica da USP e, em 1953, professora assistente em regime de tempo integral. Obteve bolsa do Conselho Britânico para realizar estágio de pós-doutorado no Imperial College London, onde desenvolveu pesquisas em eletrossíntese orgânica. Em 1958, defendeu a livre-docência com o trabalho “Síntese e estudo dos homólogos inferiores do ácido 6,8-tioctico”.

Ao longo da década de 1960, Wladislaw desenvolveu pesquisas em eletroquímica orgânica, mantendo paralelamente estudos sobre compostos de enxofre, área à qual retornou de forma integral na década de 1970. Em 1971, foi aprovada em concurso para professora titular do Instituto de Química da USP e, em 1975, assumiu a chefia do Departamento de Química Fundamental da mesma instituição.

Exerceu papel central na formação de diversas gerações de químicos. Mesmo após a aposentadoria compulsória, permaneceu ativa como professora convidada no Laboratório de Sínteses Orgânicas da USP.

Em 1973, foi eleita membro titular da Academia Brasileira de Ciências, além de integrar a Associação Brasileira de Química, a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência, a Sociedade de Química de Londres e a Royal Society of Chemistry. No ano seguinte, tornou-se membro da Academia de Ciências do Estado de São Paulo. Recebeu importantes distinções, como a Ordem Nacional do Mérito Científico, na qual foi agraciada como Comendadora e Grã-Cruz, e o Prêmio Rheimboldt-Hauptmann. Foi ainda bolsista 1A do CNPq e integrou o corpo editorial de revistas científicas internacionais.

Blanka Wladislaw faleceu em São Paulo, aos 94 anos, deixando um legado duradouro para a química brasileira, marcado pela excelência científica, dedicação ao ensino e compromisso com a formação acadêmica.