Sobre a Cientista

Filha de pai romeno e mãe ucraniana, nasceu no Rio de Janeiro, em 1930. Graduou-se em geografia e história em 1952 pela Faculdade Nacional de Filosofia. Em 1957, ingressou como auxiliar de ensino na Universidade do Brasil, atual Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Entre 1966 e 1976, lecionou no Instituto Rio Branco, preparando futuros diplomatas, e lá aprofundou os estudos sobre a dimensão política da geografia. Foi professora visitante em instituições de Estados Unidos, México, França e Inglaterra. Em 1986, tornou-se professora titular da UFRJ, onde coordenou por mais de 20 anos o Laboratório de Gestão do Território. Entre as honrarias que recebeu estão as medalhas Carlos Chagas Filho de Mérito Científico (2000) e David Livingston Centenary, da Sociedade Geográfica Americana (2001), e, em 2007, a Ordem Nacional do Mérito Científico, na classe comendador, e a Medalha do Mérito Geográfico, da Sociedade Brasileira de Geografia. Ingressou em 2006 na Academia Brasileira de Ciências, na seção de Ciências Sociais.

bertha becker contrapunha à ideia da floresta virgem e intocada a imagem de uma amazônia urbanizada, propondo políticas de desenvolvimento para a região. neil paulmer e cristina
albuquerque/embarq brasil

Geógrafa da Amazônia

A concepção da geografia não apenas como ciência social, mas também como ciência política, é oriunda da paixão e da identificação de Bertha Becker com a geografia do Brasil. Para ela, o sentido de sua atuação acadêmico-profissional passava pelo entendimento do país como parte de um projeto mais amplo, planetário. Nesse sentido, a geógrafa conjugou teoria e pesquisa de campo para se dedicar a alguns de seus temas mais caros: o território, as regiões de fronteira e o estudo da Amazônia.

A partir de sua obra, é possível compreender a territorialidade como produto de relações políticas – induzidas pelo Estado e por grandes corporações ou como resultado de movimentos de organização e resistência sociais. Bertha dedicou-se, desde os anos 1960, ao estudo da expansão da fronteira agropecuária no Brasil, acompanhando a entrada principalmente da soja e do gado na floresta. Foi uma das principais defensoras da compatibilização entre conservação ambiental e desenvolvimento econômico, ao apontar os problemas da polarização entre as duas perspectivas.

Também propôs a ideia de uma Amazônia urbanizada, caracterizada por intensa mobilidade populacional, conflitos fundiários e forte regionalização – ao contrário da visão de um espaço vazio, exótico e homogêneo. A partir de suas reflexões acerca das dinâmicas territoriais e sociais da Amazônia, a geógrafa buscava também contribuir com a formulação de projetos e políticas públicas de desenvolvimento para a região. Reconhecida nacional e internacionalmente por sua produtividade científica e intelectual no campo da geografia e na geopolítica, Bertha atuou como consultora de órgãos governamentais em questões relacionadas ao meio ambiente.