Sobre o Presidente

Nasceu em 1914, no Rio de Janeiro. Ingressou na Faculdade de Medicina de São Paulo em 1932, mas, em função de uma tuberculose, teve que se afastar do curso. Já curado, em 1940, viajou para os Estados Unidos e obteve graus de mestre e doutor pela Universidade de Harvard. De volta ao Brasil, tornou-se professor da Faculdade Nacional de Medicina da Universidade do Brasil. Posteriormente, foi transferido para o Instituto de Biofísica da universidade, onde foi pesquisador e professor, além de diretor entre os anos de 1966 e 1970. Ingressou na ABC em 1948 e foi vice-presidente nos períodos de 1955-57 e 1965-67 e presidente de 1967 a 1981. Seu mandato como presidente ocorreu durante o difícil período de ditadura militar e, graças a seus esforços, a Revista Brasileira de Biologia continuou sendo publicada mesmo após a cassação dos editores. Conseguiu, ainda, que o governo federal reconhecesse a ABC como parte do setor de ciência e tecnologia, gerando recursos para a entidade. Suas pesquisas foram fundamentais para a compreensão de doenças como a epilepsia e a enxaqueca. 

ao lado, pacheco leão em reunião com o líder da sociedade física do japão, em 1981. – acervo abc

Política científica, cérebros e pássaros

Pacheco Leão dividiu sua carreira entre a pesquisa e a política científica, tendo feito importantes descobertas na bancada e participado de diversos organismos e instituições.

Na presidência da ABC, logrou conquistas importantes, apesar do complexo contexto da ditadura militar. Conseguiu, por exemplo, que o governo federal reconhecesse a entidade como parte integrante do sistema de ciência e tecnologia, com capacidade de emitir pareceres nessas áreas. Esta medida gerou recursos para a Academia que possibilitaram o desenvolvimento de projetos multidisciplinares de relevância nacional e internacional.

No escopo mais amplo do sistema nacional de C&T, teve, entre 1985 e 1991, intensa atuação nas secretarias de Planejamento e de Ciência e Tecnologia da presidência da República, como membro e presidente do Grupo Especial de Acompanhamento do Programa de Apoio ao Desenvolvimento Científico. 

Na pesquisa, Pacheco Leão fez contribuições importantes para a neurociência. Em sua tese de doutorado, descreveu um fenômeno que se tornou internacionalmente conhecido como Leão’s spreading depression, em português, depressão alastrante de Leão. Trata-se de uma queda de atividade elétrica do córtex cerebral ao ser estimulado de maneira artificial. A descoberta foi fundamental para a compreensão de doenças como a epilepsia e a enxaqueca.

Enquanto estudava fenômenos relacionados ao cérebro no laboratório, dedicava seu tempo fora dele aos pássaros, tornando-se um ornitólogo amador com contribuições também para essa área. Suas gravações de canto de pássaros brasileiros, por exemplo, ajudaram a mapear diferentes habitats no cerrado e a delimitar zonas de proteção ambiental. Seus trabalhos nesse campo também serviram de estímulo para a publicação do livro Ornitologia brasileira, do cientista alemão Helmut Sick, ornitólogo do Museu Nacional.

uma das paixões do cientista: a ornitologia. apesar de não ser sua área de expertise, pacheco leão dedicava o tempo livre à observação dos pássaros. – wikimedia commons ( juniorgirotto e pedro del vale)
artigo que descreve a depressão alastrante de leão, publicado no journal of neurophysiology em 1944. – reprodução/ leão aap. spreading depression of activity in the cerebral cortex. jneurophysiol 7: 359–390, 1944.