Sobre o Cientista
Ângelo Moreira da Costa Lima nasceu no Rio de Janeiro e ingressou na Faculdade de Medicina em 1904. Durante a graduação, trabalhou como conferente e revisor do jornal Correio da Manhã. Em 1906, foi aprovado em concurso como auxiliar acadêmico do Serviço de Profilaxia da Febre Amarela da Diretoria Geral de Saúde Pública, onde atuou até concluir o curso de medicina, em 1910.
Logo após a formatura, integrou a comissão organizada por Oswaldo Cruz para o combate à febre amarela no estado do Pará, exercendo a função de inspetor sanitário. Foi responsável pelo serviço nas cidades de Santarém e Óbidos, período no qual realizou observações fundamentais sobre a biologia dos mosquitos, em especial do Aedes aegypti, iniciando uma trajetória científica marcada pela entomologia aplicada à saúde e à agricultura.
De volta ao Rio de Janeiro em 1913, trabalhou no laboratório de Adolfo Lutz, em Manguinhos, e exerceu brevemente o cargo de preparador extranumerário da Faculdade de Medicina. Em seguida, dedicou-se ao magistério, lecionando na Escola Agrícola da Bahia, na Escola Superior de Agricultura e Medicina Veterinária e, posteriormente, na Escola Nacional de Agronomia (ENA). Nessa instituição, permaneceu até ser aposentado compulsoriamente em 1957, recebendo o título de professor emérito da Universidade Rural do Brasil.
Membro fundador da Academia Brasileira de Ciências, Costa Lima assinou a ata de criação da instituição em 3 de maio de 1916 e integrou a Seção de Ciências Biológicas. Teve atuação destacada na vida institucional da ABC, exercendo cargos como secretário-geral (1931–1933) e vice-presidente (1933–1935). Atuou também como divulgador científico, sendo locutor da Rádio Sociedade, fundada por Roquette-Pinto.
No campo técnico-científico, trabalhou no Laboratório de Entomologia Agrícola do Museu Nacional, onde criou e dirigiu o Serviço de Combate à Lagarta Rósea, e chefiou o Serviço de Vigilância Sanitária Vegetal do Instituto Biológico de Defesa Agrícola. Organizou planos pioneiros de combate a pragas agrícolas, como a broca-do-café, e dirigiu o Instituto de Biologia Vegetal na década de 1930.
Reconhecido como o fundador da entomologia agrícola no Brasil, Costa Lima deixou como principal legado o monumental tratado Insetos do Brasil, em 12 volumes, obra de referência incontornável para o estudo da entomofauna brasileira. Foi membro do CNPq e de importantes sociedades científicas internacionais, recebeu o Prêmio Fundação Moinho Santista (1956) e o título de Doutor Honoris Causa da Universidade de São Paulo (1960).
Em sua homenagem, a ABC instituiu, em 1950, o Prêmio Costa Lima, e diversas instituições — como o Instituto Oswaldo Cruz e a Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro — preservam sua memória científica e institucional.