Sobre o Presidente

Carioca, estudou engenharia na Escola Politécnica do Rio de Janeiro e na Escola Técnica Central de Bruxelas, na Bélgica. Seguiu carreira na Marinha, tornando-se vice-almirante. Durante a Segunda Guerra Mundial, desenvolveu método de fabricação de estabilizantes químicos. Entusiasta do uso pacífico da energia nuclear, esteve à frente da implantação do Programa Nuclear Brasileiro. Foi o representante do Brasil na Comissão de Energia Atômica da Organização das Nações Unidas no biênio 1946-1947. Em 1921, ingressou como membro da ABC, ocupando diversos cargos na entidade: 2° secretário (1924-1926), secretário geral (1926-1929), vice-presidente (1929-1931) e presidente (1935-1937 e 1949-1951). Participou ativamente da criação do Conselho Nacional de Pesquisa, do qual foi o primeiro presidente. Neste cargo, ajudou a criar o Instituto de Matemática Pura e Aplicada e o Instituto de Pesquisas da Amazônia. Hoje, é homenageado pela Central Nuclear Almirante Álvaro Alberto, em Angra dos Reis, que produz a maior parte da energia nuclear do país. 

no topo da página, álvaro alberto em audiência com o presidente getúlio vargas no palácio do catete (rj). – acervo abc
à esquerda, o cientista reunido com o presidente dutra, também no palácio do catete. nesta reunião, foi decidida a criação do cnpq. – acervo abc
à direita, carta de álvaro alberto a pacheco leão, na época presidente da abc, sugerindo congratular a santa sé pela iniciativa de anular as sentenças que condenavam galileu galilei (23/07/1968). – acervo abc

Energia nuclear para o Brasil

A geração de energia nuclear acontece pela fissão ou divisão do núcleo atômico, um processo que libera grandes quantidades de energia. Isto acontece, de forma muito intensa, na explosão de uma bomba atômica. Mas, se este processo for controlado, a energia gerada pode ser aproveitada para fins pacíficos. É o que acontece nas usinas de energia nuclear em funcionamento no mundo. 

O vice-almirante Álvaro Alberto da Motta e Silva foi pioneiro nas pesquisas brasileiras sobre energia nuclear e defendia que esse conhecimento – malfadado pela explosão destrutiva das bombas atômicas – fosse usado também para a promoção do desenvolvimento e da paz. Partindo dessa premissa, ajudou na constituição do Programa Nuclear Brasileiro. 

Motta e Silva também teve importante atuação na institucionalização e desenvolvimento da ciência nacional, sendo um dos principais nomes por trás da criação, em 1951, do Conselho Nacional de Pesquisas (CNPq), principal órgão estatal de fomento à pesquisa no Brasil.  

Na época, havia o entendimento, por parte da comunidade científica, de que apenas o Estado disporia de recursos para apoiar programas científicos de peso no país. Por sugestão de Motta e Silva, endossada pela ABC, foi apresentada então ao governo federal, em 1946, a proposta de criação do CNPq, concretizada cinco anos depois. 

Em homenagem ao cientista, foi instituído pelo CNPq, em 1986, o Prêmio Almirante Álvaro Alberto para Ciência e Tecnologia, atribuído anualmente a um pesquisador que tenha se destacado pela realização de obra científica ou tecnológica de reconhecido valor para o progresso da sua área. 

Apaixonado por explosivos, Motta e Silva chegou a inventar dois deles, a rupturita e a alexandrinita. E foi assim que nasceu seu interesse pela energia nuclear, área na qual pesquisou e militou ao longo de sua carreira. 

Curiosidade