Sobre o Cientista

Nasceu no Rio de Janeiro e, aos dois anos, mudou-se com a família para a Suíça, terra natal de seus pais. Formou-se em medicina em 1879, na Universidade de Berna, e retornou ao Brasil aos 26 anos, fixando-se no interior de São Paulo. Entre 1885 e 1893, dedicou-se ao estudo da hanseníase, com passagens por Hamburgo, na Alemanha, e pelo Havaí. De volta ao Brasil, ingressou como pesquisador no Instituto Bacteriológico de São Paulo, de onde foi diretor, com participação relevante em pesquisas sobre doenças endêmicas no estado. Em 1908, transferiu-se para o Instituto Oswaldo Cruz, no Rio de Janeiro, e produziu intensamente sobre temas de interesse médico e biológico. Ingressou na ABC em 1916 e, em 1935, recebeu o Prêmio Einstein, concedido pela instituição. Foi casado com a enfermeira inglesa Amy Marie Gertrude Fowler, com quem teve os filhos Bertha, zoóloga, e Gualter Adolpho, que se dedicou à medicina legal. Após a morte do cientista, o Instituto Bacteriológico de São Paulo passou a se chamar, em sua homenagem, Instituto Adolpho Lutz. 

Acima médicos do instituto oswaldo cruz e visitantes diante do castelo de manguinhos. lutz aparece de jaleco, na primeira fila (é o quarto da direita para a esquerda). – acervo abc
Abaixo, outro grupo de cientistas da atual fiocruz. sentados, da esquerda para a direita, estão osvino alvares pena, adolpho lutz, oswaldo cruz, carlos chagas e josé da costa-cruz.

Luta contra doenças negligenciadas

Médico e pesquisador dedicado ao estudo dos hospedeiros de doenças que afetam os seres humanos, Adolpho Lutz contribuiu de modo fundamental para o entendimento de doenças tropicais, historicamente negligenciadas. Dentre elas, a hanseníase, mais comumente denominada lepra. Devido ao aspecto desfigurante da enfermidade, o tratamento da hanseníase exigia o isolamento dos doentes em locais remotos.

Lutz acreditava que a medida era ineficaz e cruel e, por isso, mantinha o contato com seus pacientes. Naquela época, não havia consenso sobre a transmissão da doença: alguns acreditavam que era hereditária; para outros, tratava-se de moléstia contagiosa. Em 1874, o norueguês Gerhard Armauer Hansen relatou a descoberta do agente etiológico da lepra, o Mycobacterium leprae.

Após estudar a doença na Alemanha e de uma curta passagem pelo Hospital dos Lázaros, no Rio de Janeiro, Lutz foi tratar doentes na ilha de Molokai, no Havaí. Lá, prosseguiu com os estudos e fortaleceu sua teoria sobre a transmissão por mosquitos da bactéria causadora da doença – possibilidade posteriormente descartada com a comprovação da propagação da infecção por meio das vias respiratórias.

Além de suas contribuições para os estudos sobre a lepra, Lutz avançou no combate, como médico, e na produção de conhecimento acerca de doenças como varíola, peste bubônica, cólera, febre tifoide, malária e tuberculose. Foi um dos responsáveis pela identificação do  Aedes aegypti como transmissor  da  febre  amarela.

Em viagem ao Nordeste brasileiro, no fim dos anos 1910, investigou a distribuição e a incidência da esquistossomose na região e desenvolveu pesquisas sobre o Schistosoma mansoni e os moluscos responsáveis pela propagação da doença em seus hospedeiros humanos. Os trabalhos gerados a partir dessas investigações constituem a maior contribuição de Lutz à zoologia médica no Brasil.